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Futebol, governança, compliance e riscos.

 
Ouvindo a um podcast essa semana, tomei contato com o caso de suposta venda de resultados em jogos de futebol, a partir do aliciamento de jogadores participantes das partidas (se quiser saber mais sobre o assunto, ouça aqui).

Segundo se tem apurado, o esquema envolve jogadores, ex-jogadores que funcionariam como aliciadores e apostadores.
A partir da denúncia de uma dirigente de time de futebol, surgiram várias denúncias de vendas de pênaltis, cartões amarelos e vermelhos e até de resultados combinados.

Veja algumas manchetes:


E


Na Jovem Pan:


Na ESPN (inclusive com propaganda de site de apostas on line):



Depois de tomar contato com a notícia, me foi quase automático perceber como o caso da aparenta venda de resultados em partidas de futebol pode nos ensinar sobre gerenciamento de riscos, compliance e governança.

Eis um exemplo em que a quebra da credibilidade pode minar toda uma indústria em expansão no Brasil: a indústria do futebol e entretenimento - alguns analistas acreditam que em 2023, o Campeonato Brasileiro baterá o recorde de público nos estágios.

Se o prejuízo é incalculável, as medidas que poderiam ser tomadas são previsíveis e merecem atenção imediata por parte dos dirigentes dos clubes e das entidades ligadas ao esporte:

Conformidade (ou compliance) deve ser a palavra de ordem!


É preciso imediatamente se implementar e promover programas de comportamento ético no futebol, conscientizando todos os profissionais na cadeia produtiva da responsabilidade pela garantia do cumprimento da lei.

A produção de documentos como os  Códigos de Ética e de Conduta, os treinamentos constantes, a implementação das investigações internas e, talvez uma das mais importantes medidas, a implantação dos canais de denúncia devem estar na pauta de decisões de todas as organizações ligadas ao futebol (aqui incluídos os sites de apostas também).


Regular é preciso.


O governo deve atuar para regular os sites de apostas e para impor a criação de mecanismos que garantam a conduta ética e a conformidade em toda a cadeia produtiva do futebol. Além disso, a condução das investigações e punição dos envolvidos nos desvios de comportamento deve ser exemplar, para desencorajar atletas que não tenham uma conduta profissional.

É preciso relembrar que o negócio esportivo traz importantes divisas para o país e não deve ser menosprezado pela autoridade pública.


Gerenciamento ininterrupto de riscos.



É preciso que todos os envolvidos na cadeia produtiva do entretenimento por meio do futebol estejam compromissados com a eliminação das condutas antiéticas. É dizer: clubes, entidades representativas, organizadores, empresas de apostas... todos devem implementar mecanismos de monitoramento, prevenção e antecipação de riscos, de maneira que fique bastante evidente ao espectador do esporte que todas as medidas são tomadas diariamente para garantir a lisura e a transparência no futebol.


A mancha que está sendo gerada na reputação desta indústria demorará para se dissipar (vide o caso da Americanas, por exemplo).

Somente com muito esforço no sentido contrário a situação poderá ser contornada.

Não é tarefa impossível, mas deve ser vista com muita responsabilidade e claro propósito em prol da ética.

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